Como realizar a gestão estratégica de um negócio de impacto levando em consideração seus aspectos comerciais e socioambientais de forma integrada?
Compreendendo que esta é uma temática frequente entre as lideranças do ecossistema de impacto, a comunidade Agente MUDA conversou com exclusividade com Antonio Ribeiro, sócio-consultor da Move Social, sobre o Modelo C e sua versão atualizada, chamada de versão 2.0.
Durante a entrevista, Ribeiro nos traz ideias de como a ferramenta pode agregar benefícios ao trabalho das lideranças à frente desses negócios, seus diferenciais e quais os primeiros passos para começar a utilizá-la.
Confira na íntegra.
Antonio, como você explica o Modelo C 2.0 para lideranças que trabalham com impacto positivo?
O Modelo C é uma abordagem para apoiar o desenvolvimento de negócios de impacto. Funciona a partir da união de perguntas mobilizadoras e uma arquitetura visual (um modelo) que integra diferentes dimensões de um negócio de impacto socioambiental. Foi pensada para ser uma ferramenta útil de diagnóstico, planejamento, modelagem, e assim contribuir com a gestão estratégica, com avaliações de impacto, decisões sobre investimento, comunicação com atores de interesse, entre outros.
Essa ferramenta foi desenvolvida e revisada recentemente (versão 2.0) de modo colaborativo, sendo uma ideia original da Move Social e do Sense Lab, organizações que coordenaram a primeira produção juntas, contando com contribuições de organizações financiadoras, dinamizadoras e negócios de impacto.
Vale destacar que é uma ferramenta totalmente gratuita, com guia disponível para download no site www.modeloc.co
E quais são os diferenciais do Modelo C?
O principal diferencial do Modelo C é a abordagem integral para as diversas dimensões de um negócio de impacto, que como essência é uma iniciativa que pretende gerar mudanças positivas na vida de pessoas e/ou territórios e ao mesmo tempo ter retorno/lucro financeiro a partir da venda de seus produtos ou serviços.
O Modelo C une na sua metodologia, partes e conceitos da Teoria de Mudança e do Canvas Modelo de Negócios, duas ferramentas que costumavam a ser usadas separadamente por lideranças e equipes de negócios para pensar sua lógica de impacto e sua lógica comercial, respectivamente – o que dificultava um olhar integral para o negócio e, muitas vezes, gerava retrabalhos e perda de assertividade na tomada de decisões.
E por que o Modelo C precisou de uma atualização, Antonio?
Lançado em 2018, o Modelo C foi revisado pois, nestes 7 anos de uso, fomos percebendo pontos de melhorias e avanços. Para a versão 2.0 atualizamos termos e conceitos, revisamos o modelo visual (arquitetura de modelagem), trouxemos ajustes nas perguntas mobilizadoras, demos maior ênfase para uma análise e construção integrada, oferecemos mais recursos de apoio (seja via indicação de materiais ou disponibilização de anexos), propusemos um caminho de processo mais atento a perfis distintos de negócios e equipes, ampliamos o acesso a mais públicos fora do Brasil (com traduções agora para o espanhol e o inglês, a serem lançadas em breve), entre outras coisas mais pontuais.
Para a comunidade Agente MUDA interessa uma mudança sistêmica e não apenas pontual. O Modelo C 2.0 pode contribuir com mudanças sistêmicas?
A abordagem do Modelo C desde sempre partiu de uma perspectiva sistêmica, tentando provocar um olhar integral para as diversas dimensões de um negócio de impacto e ainda gerando reflexões sobre aspectos de conexão deste negócio com atores, elementos e dinâmicas externas aos quais ele se conecta. Essa perspectiva leva o Modelo C 2.0 a ampliar provocações sobre a conexão do negócio com seu contexto, em uma lógica codependente e atenta às premissas de impacto coletivo, por exemplo.
Ajuda a localizar este negócio no mundo e reforça a mensagem de que ele também é responsável pela criação e adaptação de realidades futuras, seja apontando para a importância das suas redes e parcerias, seja dando atenção à importância da análise de marcadores sociais e territoriais para favorecer a equidade ou provocando a governança e tomada de decisões responsáveis. De maneira geral, no Guia do Modelo C 2.0 existem várias provocações que se conectam à lógica sistêmica, a começar por seu manifesto, que vale a pena ser lido.
Caso uma liderança se interesse em adotar a ferramenta, por onde começar?
A sugestão é começar baixando o Guia no site (www.modeloc.co) e aos poucos ir experimentando. Ali damos algumas sugestões de caminhos segundo perfil e disponibilidade de quem está querendo usar. Outra sugestão é acompanhar, de vez em quando, o site do Modelo C, pois em breve iremos lançar um conjunto de materiais de exemplos já construídos e recursos para uso em oficinas ou práticas, sejam virtuais ou presenciais.