Por Vitoria Junqueira – Agente MUDA e Head de mobilização da Aliança pelo Impacto.
Ser LGBT no ambiente de trabalho quase nunca é uma tarefa fácil. Construir vínculos de confiança que nos protejam, que nos deem segurança para ser quem realmente somos, é um exercício diário. Formar um time, construir uma identidade e se sentir pertencente muitas vezes nos obriga a performar versões de nós mesmos — identidades emprestadas — para sobreviver.
O setor de impacto, apesar de ainda falar pouco sobre a pauta LGBT+, tem me proporcionado um espaço onde me sinto cada vez mais confortável para existir de forma íntegra, sem deixar pedaços de mim do lado de fora. Sim, há prioridades urgentes no nosso campo, mas é fundamental que, enquanto pessoas LGBT+, não nos esqueçamos de nós mesmos no caminho.
Olhar para quem caminha ao nosso lado é essencial, mas olhar no espelho e reconhecer que ali vive alguém que ama, constrói, transforma e se relaciona — para além de gênero, orientação ou raça — é o que torna nossa existência mais próspera, potente e inteira.
Que possamos falar com as nossas vozes, não só com as nossas cicatrizes.
Eu, como mulher lésbica, já vivi muitas violências nos ambientes de trabalho tradicionais. Já fui, inclusive, adicionada “por engano” a um grupo de homens de uma organização — e que violência é ser mulher. Que violência é ser lésbica nesses espaços.
Mas hoje celebro ter direcionado minha trajetória profissional para um setor que nasce da premissa de gerar impacto positivo — e isso inclui a nossa existência. Ainda assim, precisamos falar sobre isso. Precisamos de mais pessoas trans ocupando espaços. Precisamos de políticas públicas que acolham travestis. Precisamos de incentivos para que novos rostos — com outras vivências, outros corpos, outras histórias — estejam nas diretorias, nos conselhos, nas lideranças.
E quem sabe… quem sabe, muito em breve, uma de nós não se torna presidente desse país? Que lute não só pela nossa existência, mas pela nossa potência.
E, para não deixar esse dia apenas no campo do depoimento, convido todes que se sentirem chamados a acessar a pesquisa O Custo da Exclusão LGBTI+ no Brasil. Ela buscará trazer dados contundentes sobre como a exclusão impacta nossas vidas, nossa saúde mental e nossa inserção no mercado de trabalho — e, claro, sobre como a inclusão é urgente, necessária e gera valor para toda a sociedade.
Pesquisa | O Custo da Exclusão LGBTI+ no Brasil: https://pesquisa.ocustodaexclusaolgbtinobrasil.com/pesquisa-o-custo-da-exclusao-lgbti-no-brasil#rd-form-joq3m2m5